sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

Como Assim?

As pessoas são engraçadas.
Te olham, te analisam e conceituam.
Mas não fazem o fundamental.
Auto análise.
Eu mesma poderia conceituar uma série de pessoas por atos, atitudes e gestos sem mesmo conhece-las, mas se eu fizesse com que direito?
Não somos livres?
Infelizmente não.
A sociedade é tão patética em sua vigilância que não faz outra coisa.
Por que somos vigilantes?
Quem nos deu essa autoridade?
Talvez o egoísmo, o individualismo, a falta de respeito, a falta de amor primeiramente com você e depois com seu semelhante.
A convivência merece mais. Somos humanos. Merecemos viver bem.
Talvez um bom dia, uma boa tarde e muito obrigada.
Os tais termos Liberdade, Igualdade e Fraternidade onde estão frente a esse mundo de vigilância?
Se alguém fecha outro no trânsito evoco direitos, agora se o contrário se dá a indiferença surge.
“É preciso amar como se não houvesse amanhã”
Já dizia Renato Russo.
O humano cordial representa este ideal
Em vez de patrulhar a vida alheia seja gentil!
Seja tudo que os outros esperam de você!
Assim irá perceber a vida com mais leveza
Sem tantas convenções.
Para que tantos rapapés se elas só inibem a espontaneidade do sorriso e a delicadeza do olhar respeitoso que vê o outro.
A espiritualidade não pode ser expressa apenas em datas comemorativas.
Temos que nos importar com o outro todos os dias.
Sorriam meus amigos.
Somos felizes. Estamos aqui para isso.

quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

Um Horizonte Descontente

Algo que sempre aterroriza o homem é pensar no futuro.
Quando criança sempre ouvimos algo como: pense no seu futuro!
Faça isso ou aquilo pelo seu futuro.
Aí cabe a indagação se está falando de duas coisas diferentes?
O segundo seguinte já é o futuro.
Como pensar nele dentro de si mesmo?
Com tantas metas e objetivos a alcançar o que fazer?
Resolver qual problema primeiro? Já que existem tantos.
Seria o futuro um mar de problemas?
Uma coisa é certa. É muito chato pensar nisso!
Dizem que o futuro é planejado, mas dizem ainda que o futuro à Deus pertence
Ele me pertence?
A Religião, a Ciência, as Guerras, os horrores, os Amores todos se dizem senhores do futuro.
Eu como indivíduo aonde estou como futuro que nem mesmo conheço!
O pensamento de Martin Heidegger trata sobre tempo e o ser
Onde o ser é o pensamento
E o presente é o sujeito
E desta forma pensamento e sujeito formam o futuro
Isso nos remete portanto, a música de Engenheiros do Havaí – Muros e Grades
Se tudo depende do pensamento e do sujeito cabe ao indivíduo construir o próprio futuro sem deixar-se corroer pela ideia da impossibilidade diante da complexidade, pois se assim fosse não haveria ideias, não haveria revoluções.
Não existe futuro.
Quem quer viver... vive.
Futuro é conceito. Uma vez pensado já passou, é passado.
A série de opções e de dizeres sobre a vida também são conceitos.
O que vale é a possibilidade de gerar-se algo de bom agora enquanto presente – sujeito, enquanto ser – pensamento.
“Somos o que podemos ser, sonhos que podemos ter” – Carpe Diem.


segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

O Consumo que nos Consome

Os meios de exploração do conhecimento são a construção de ideia e ideal de maneira associada presentes na vida humana em todos os contextos possíveis, mesmo os que renegam esta realidade na verdade participam dela simplesmente no ato de se opor ao próprio sistema de conhecimento presente no cotidiano. Isto é parte da razão humana de sua consciência involuntária, pois o humano estabelece relações com o meio onde se encontra ou para onde se desloca, sendo está existência norteada pelo que se apreende e pelas transformações do conhecimento que evolui sempre com a promessa de realização do ser humano permitindo que o mesmo coexista em sociedade seguindo padrões sem consciência definitiva do por que o faz.
Theodor Adorno estabelece em sua filosofia o conceito de Indústria Cultural onde as relações possibilitam a construção do “conhecimento” tendo como ponto de partida a comercialização e construção da cultura enquanto hegemonia social, estética e técnica de produção. A questão social apresenta-se inicialmente quanto à separação sistemática de classes não como pretendia Karl Marx, mas além disso, não se tratando apenas de um ideal, mas de uma realidade ligada ao capitalismo em suas várias matizes sempre com um mesmo objetivo a aceitação, ou seja, a sociedade está dividida em classes de forma consciente sem, no entanto, existir a luta de classes ocorrendo uma acomodação de funções e saberes definidos que com a promessa ilusória da ascensão social torna cada um uma engrenagem de um sistema único dividido em especialidades.
            Desta maneira o que existe como meta imposta à sociedade é apenas a busca por excelência e está excelência se dá por meio do conhecimento apreendido, onde a “liberdade” estabelecida através dos meios disponibilizados sejam estes educacionais, culturais, sociais ou econômicos somente são alcançados de acordo com a dinâmica de ascensão da sociedade diretamente ligada à capacidade de consumo de massa do que é produzido. No processo de aculturação a construção subjetiva do que se deve consumir é na realidade uma apropriação condicionada de tudo o que se pensa, portanto não é realmente genuíno, mas uma forma de controle dos meios de produção, seja no sentido qualitativo ou quantitativo, tornando a sociedade dominada pela necessidade de consumir.
            A cultura é “incondicional”, “ditatorial” serve aos interesses do consumo, mesmo quando da ocorrência de rebelião a esta ou aquela forma de expressão ou comportamento sociocultural que é levada a adequação tornando-se previsível e inviabilizando qualquer revolução cultural como um despertar essencial ou verdadeiro que acaba por se tornar produto idealizado com fundamentação, mas longe de ser fato consumado e sim meio para o consumo utilizadas a favor do sistema que reforça sua hegemonia. Pode-se dizer que toda revolução é na verdade uma reação esperada e intencional para possibilitar ao sistema um ciclo infinito não oferecendo saída com relação ao consumo que de tudo se apossa e cria a cópia da cópia mesmo que de maneira sutil.
A partir disso, fica cada vez mais distante o ser que deve-se ser frente a esse mundo dinâmico de novidades e consumo, pois não importa para que horizonte se erga o olhar a procura de uma resposta, a inquietação encontrará sempre as mesmas respostas já que através de algum mecanismo é despertado na subjetividade já condicionada pelo consumo.
A busca por aceitação está presente de maneira mais evidente na estética artística e comercial, pois na prática existe uma função definida com o objetivo de estabelecer critérios universais que possam influenciar a arte e que deve por sua vez influenciar a sociedade como conjunto através da disseminação midiática de determinado padrão de consumo que deve por fim alimentar o sistema capitalista.  A partir da mecânica apresentada acima se pode buscar construir uma análise tendo como ponto de partida a arte como representação estética do real influenciando no consumo da sociedade que tem nos produtos sua fonte para realização de “sonhos” por esta sociedade que ironicamente nunca se sonhou antes do capitalismo contemporâneo que toma para si a razão humana de acordo com seus objetivos de dominação. 
A representação estética com relação à própria origem da palavra ou sua apropriação quando estar-se diante de uma obra de arte não é unicamente a busca pela verdadeira arte, mas sim atender a um padrão estabelecido a uma tendência o artista vislumbra sua arte como consumo que deve se diversificar podendo está tanto em um quadro sendo exposto em um museu renomado quanto a expor bolsas femininas ou camisas masculinas que serão vendidas em uma loja de departamentos ou mesmo servir como “inspiração” para o desenho de um carro esportivo por exemplo. Resta ao artista uma alternativa para ser aceito no mercado das artes adotar  uma visão empreendedora para usar de um termo do mercado ver na sua arte um negócio que possa gerar lucro de maneira diversificada e abrangente podendo alcançar desta maneira o maior número de consumidores possíveis;  assim sendo a produção enquanto arte dá lugar a um produto que tem como finalidade usar a arte como meio para obtenção do lucro é desta forma que a ditadura do consumo se impõe e está dinâmica se dá em todas as formas de expressão que para ser conhecida do grande público e ser consumida deve aceitar tornando-se um estereótipo de um padrão que deve ser seguido rigorosamente.
            O padrão de estética alcança desta feita uma infinidade de possibilidades de classificação levando em consideração as possibilidades de consumo de determinada obra de arte que pode surgir na internet e ser adequado para um consumo que gere lucro este é na verdade o objetivo atualmente da estética é agradar inicialmente na forma subjetiva para que desta maneira realize seu objetivo primordial, qual seja, o ato de consumir. 
            Falar de cultura enquanto administração enseja a abordagem por fim de que maneira a construção da cultura como produção em escala de alcance global se estabelece. A indústria cultural não é investida por qualquer sentido de humanidade, mas de lucro numa perspectiva que busque estabelecer um parâmetro base que sustenta a técnica de produção de qualquer produto e que tem no consumo o que irá desejar o consumidor de acordo com os padrões que a própria indústria estabelecer no inconsciente da massa através da mídia que diariamente vai ensejar o desejo de consumo por determinado produto não bastando apenas produzir determinado produto em uma  fábrica sendo necessário que este produto seja “o produto” e isto vale para qualquer  produto ou seguimento inclusive, o religioso.
            Uma clara demonstração de que tudo pode ser enquadrado como mercadoria inclusive a fé ou a falta dela é que somos bombardeados diuturnamente com propagandas das mais diversas que prometem solução para qualquer problema. Vale ressaltar que as soluções são buscadas de acordo com as possibilidades de consumo de determinada classe social que é “acessível” de maneira exclusivamente dirigida ao consumo, por exemplo, um carro possui diversas linhas de produção cabe ao consumidor se adequar de acordo com sua possibilidade financeira, ou seja, se é esteticamente aceito se puder pagar pelo melhor.
Esta é a tirania de que se vale a indústria cultural você é livre apenas para ter o melhor mesmo que financeiramente isto não seja possível o que faz com que este melhor seja reduzido ao mínimo do melhor tornando-se assim um ideal a ser alcançado de maneira frenética que é como andar em círculos ou se perder sempre no mesmo caminho quando se tem acesso a um bem desejado o mesmo já foi superado, seja no sentido prático ou enquanto pensamento se é sempre alimentado a querer a novidade que logo para nada irá servir porque o mercado já anunciou algo novo.
Vamos as compras?

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